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Rio Grande de Ubatuba

Existo em redes. No momento, inclusive, digito sentado em uma rede azul pendurada em duas colunas de uma edícula à beira do Rio Grande. É primavera de 2025. As noites têm sido frescas, mas o sol já queima forte quando o céu abre durante o dia.

Já fazem mais de seis anos desde que saí de Ubatuba e do Brasil, inicialmente para começar meu doutorado. Mas sempre mantive um pé por aqui - entre projetos, eventos, e períodos de reflexão.

Chego aqui nesses dias com uma necessidade de respirar mais fundo e reorganizar pensamentos. A proximidade com o rio e o ritmo das marés ajuda nesse ponto. O planeta é inescapavelmente cíclico, por certo.

A intensa vida do mangue é mais um elemento. São múltiplas espécies dando as caras o tempo inteiro. Nada aqui é estático. Aquela ideia de ambiente natural que se comporta como um zoológico - organizado, catalogado, previsível - não faz nenhum sentido por aqui.

Por coincidência (se é que isso existe), estarei em Ubatuba na próxima semana durante o evento de lançamento da Residência S+T+Arts organizada pelo LACO. O nome do evento é “Instabilidades Costeiras”, e vou registrar minhas impressões aqui na Coletora.


Depois das anotações acima, eu ainda passaria um tempo razoável na Bacia do Rio Grande. Havia inicialmente me programado para ficar dois meses, e estiquei por mais dois. Me reconectei com muitas pessoas, contextos, questões. E ao fim acabei tomando a decisão de voltar.

Escrevo estas linhas (ou melhor, digito essas palavras) do outro lado do Atlântico, já perto do Rio Vouga. Hoje também é primavera, mas já de 2026. Estou circulando um pouco pelo “velho” continente antes de me restabelecer em Ubatuba. E tenho escutado outras bacias para inspirar o tipo de ação que vou tomar quando retornar ao Rio Grande de Ubatuba. Ou, como decidimos chamar após uma série de conversas com parceiros em potencial, o Yguasu - literalmente, “Rio Grande” em Guarani e também em Tupi antigo.